Wednesday, 1 June 2011

17 - Lisboa 63 (poemas da adolescência)

Museu dos Coches
Como é triste ser o Sol
num dia de vendaval,
ser estrela no arrebol
ser erva num pinheiral.

Olhar os raios da Lua
desenhando pelo chão,
entre o silêncio da rua
as grades duma prisão.

JSR

1 comment:

  1. Ariane é um navio
    Tem mastros, velas e bandeiras à proa,
    E chegou num dia branco, frio,
    A este rio Tejo de Lisboa.

    Carregado de Sonho, fundeou
    Dentro da claridade destas grades...
    Cisne de todos, que se foi, voltou
    Só para os olhos de quem tem saudades...

    Foram duas fragatas ver quem era
    Um tal milagre assim: era um navio
    Que se balança ali à minha espera
    Entre gaivotas que se dão no rio.

    Mas eu é que não pude ainda por meus passos
    Sair desta prisão em corpo inteiro,
    E levantar a ãncora, e cair nos braços
    De Ariane, o veleiro.
    (mt)

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