Thursday, 23 June 2011

18 - Solstício de Verão

Summer Solstice Mask
Vou escrever-te nesta língua que nos tem
aos dois, como princípio e como fim.
Quero escrever-te,
porque falando, não sei se saberia dizer-te
que te amo, as vezes todas que convém  
para que não te deixe afastar de mim.
Vejo nos teus olhos ausência e talvez dor,
ou é possível que seja também amor?

Eu sei que a falta é (quase...) sempre minha:
porque fiz ou porque não fiz,
porque disse ou porque não disse,
porque parti e não querias que partisse,
porque fiquei quando precisavas de estar sozinha.
Mas o que conta não é só aquilo que eu te digo,
o que conta, não é também que estou sempre contigo?
Talvez não. Porque estás triste e eu te queria ver feliz...

Tu sabes que passámos o Verão das nossas vidas,
que o solstício da paixão pode já não ser o nosso,
mas as estações de cada ano correm sem parar
e sem ti, eu nem sei se as quereria segurar.
Sabes que do meu lado, faço tudo o que posso
para dizer-te que só por ti valem as metas conseguidas.
Podes dizer-me se o que vejo nos teus olhos é só dor,
ou se é possível que continue a ser amor?

JSR

Wednesday, 1 June 2011

17 - Lisboa 63 (poemas da adolescência)

Museu dos Coches
Como é triste ser o Sol
num dia de vendaval,
ser estrela no arrebol
ser erva num pinheiral.

Olhar os raios da Lua
desenhando pelo chão,
entre o silêncio da rua
as grades duma prisão.

JSR