Friday, 25 May 2012

27 - Paris ma Ville, au Mois de Mai


Au Palais de l'Elysée...

Trop souvent, depuis trop longtemps
je m’ennuie de Paris, ma ville clé,
clé du savoir, clé de l’espoir, clé de liberté
des temps de jeunesse, des rêves épuisés.

Loin vont les projets d’autres printemps,
les grandes illusions ont pris la clé des champs.

Le mois de Mai est devenu sage,
il n´y a plus de muguet, plus de fleurs
qui annoncent le retour du bonheur.

Sous les pavés il n’y a plus la plage,
il n’y a que la grève des désœuvrés.
Je m’ennuie de Paris, ma ville clé.

Rencontre des francs venus d’Asie
et des gallo-romains fils d’Italie,
Paris au milieu, île de la Seine, Paris phare
d’une civilisation qui s’égare.

Balance de l’Europe en détresse
Paris la vieille, ne vaut plus une messe.

Née du viol et descendante inique
d’un gigolo romain et d’une putain germanique,
Paris reine bâtarde, qui sont’ ils ces avatars,
ces pauvres cons, ces tristes barbares
qui campent depuis quelque temps à l’Élysée ?

Je m’ennuie de Paris, ma ville clé.

JSR


( je m'ennuie de = tenho saudades de )

Sunday, 6 May 2012

26 - Dia da Mãe em Portugal


Mother and Child - Bryce Brown

Foram tão claros os desejos que me deu para sonhar
Naquela lenta agonia
Foram tantos os anos que tive para me lembrar
No despertar de cada dia

Tem que me desculpar

Eu era aquele que não queria deixar pégadas na areia
E deixei
Eu era aquele que queria passar entre os fios da teia
E não passei

Tem que me desculpar

Pelo silêncio que deixou desde que morreu
Para eu compreender
Pelo caminho percorrido e que nunca conheceu
Para eu escolher

Tem que me desculpar

Por subir os degraus que há tanto tempo me talhou
Mas não saber olhar
Por ter o desprendimento que sempre me ensinou  
Mas não querer parar

Tem que me desculpar

Quando o tempo que me resta se esvai nesta ampulheta
Com a vida toda atrás
Quando o balanço fica melhor fechado na gaveta
Com a chave deixada em paz

Tem que me desculpar

Do egoísmo inconsciente em relação aos que ficaram
Parados nesta ausência
Do limbo onde de volta os alísios me empurraram
Perdido nesta inexistência

JSR