chegou e partiu
mas continuam a chuva
e o tempo frio.
Apareceram os botões brancos
ou de cor
mas as cerejeiras
nunca mais estão em flor.
Os deuses que fazem renascer
a natureza
já não são o que eram
concerteza,
deixam-nos para aqui
abandonados
entregues aos humores
dos tristes fados.
O mundo está cheio de protestos
e exigências,
de verdadeiras indignações
e falsas aparências.
Os espoliados fazem marchas
e manifestações,
enganados pelos slogans
e pelas emoções.
Não gosto de cabeças
cheias de certezas,
de ideias feitas,
de mensagens sobre as mesas.
Não gosto dos que agem
sem sucesso,
não gosto dos que criticam
sem progresso.
Por amor por ti, voltámos
a este fim do mundo,
a este desassossego,
a este desmando profundo.
Quiseste reencontrar as tuas raízes
mais antigas,
sei que são também as minhas,
sei que a isso não me obrigas.
Mas sabes que enquanto foi tempo de fazer,
fiz
e quando for tempo de partirmos,
simplesmente diz.
Sabes que não voltarei a ser quem fui
e já não sou,
quando tiver que ir:
simplesmente vou.
JSR
