Friday, 26 November 2010

8 - Desejo

The Silver Way
Desejo que ao ver-me
te esqueças das misérias de cada dia.

Desejo que o teu coração se encha de alegria,
que os teus olhos tenham a luz prateada dum rio 
que corre até ao horizonte
sem fim

e o teu sorriso seja sempre uma manhã de Sol.

JSR

Saturday, 20 November 2010

7 - Paris Blues (souvenirs d'en France)

Oiseau prisonnier dans une cage de rêve
les plumes mouillées l’attachent à la terre.

Paris-La-Défense
Des barreaux brisés
des portes fermées
des trous trop hauts 
... pour envisager le ciel.

Chanteur de l’espoir
qui reste dans l’ombre noire 
des murs tombés,
la Lune le guette pour le dénoncer.

Oiseau prisonnier dans une cage de verre
continue malgré tout à chanter.

Dans le temps qui passe
dans la vie qui reste,
l’espoir s’évanouit
l’élan s’arrête et tombe dans l’oubli.

Mais il chante encore
l’oiseau fou prisonnier,
il chante encore l’espoir de la liberté.

JSR

Tuesday, 16 November 2010

6 - Vem

Gustav Klimt - The Kiss (detail)
Toma nos teus braços o que de mim ficou
e rega com as tuas lágrimas sinceras,
aquilo que esperas
seja a alma murcha que se pode erguer,
se alguém a aquecer
com ternura igual à que a destroçou.

Toma no silencio profundo dos teus olhos
a luz violenta da minha tempestade,
escuta sem tremer aquilo que eu disser
porque és mulher,
porque te posso confiar as agruras e os escolhos
o cansaço velho e a esperança sem idade.

Toma o meu rosto nas tuas mãos pequenas
e oculta-me o mundo inteiro,
para que eu não saiba nada além das penas
de que sou o único companheiro,
como castigo
de as trazer sempre comigo.

Toma a bola de neve em que me tornei
rolando pela escarpa branca e fria,
a bola de neve que eu te dei
o gelo que me escondia,
as palavras duras que me escutaste
leio agora nos teus olhos que já me perdoaste.

Vem, como a brisa que a noite trás do mar
e chega devagar,
torna os meus sonhos povoados de amargura
numa enseada segura,
onde nada perturbe a calma que nunca conheci
e espero de ti.

Quero a alegria breve de me sentir igual
à imagem que fiz de mim,
quero o teu olhar e o som da tua voz
quero por fim,
ver-te alegre também por estarmos sós
e livres de julgar o bem e o mal.

Espero-te. Vem quando quiseres
e souberes,
quero que o momento sejas tu a decidir
mas sei que hás-de vir,
sei que tomarás nos teus braços a minha solidão
e não me dirás que espere sem razão.

JSR