Wednesday, 26 January 2011

10 - A Chuva na Avenida (souvenirs d'en France)

"Rue de Paris" par Gustave Caillebotte

O barulho molhado dos carros
que passam na avenida,
dá a verdadeira dimensão
à chuva que caiu
e cai…

Recuso enternecer-me
com a minha faringite,
com a leitura dos jornais
com a inteligência de uns
com a estupidez dos outros.

Tuer le temps?
Preciso de ir lá para fora apanhar chuva.

JSR

Monday, 13 December 2010

9 - Everlasting Gates to a White City

Triumph of a King, the Standard of Ur. c.2700 B.C.


This is a time between times,
those unforgiving boundaries of life.

The world is new,
as it can be
when the eyes open to a different morning.

It is five thousand years
since I first came to these shores,
the ships spent, the crews dying,
“We are the People of the western Sun, masters of the great Sea”
is written on the stone foundations of my white city.

Although I am reborn by the will of man
again and again,
although I still come to the place where we built the God’s temple
now half-reclaimed by the sea,
I no longer pray
and no one ever offers a sacrifice.

This once, I find her there.
Is she one of the virgins thrown from the highest cliff, long ago?
Is she an offering
being returned alive by the winds and the waves?

I take the God’s gift in my hands and make it mine,
no questions, no answers.
No regrets?
           
When I set her free
there are tears and sorrow eyes,
but without a farewell she flies away.

JSR

Friday, 26 November 2010

8 - Desejo

The Silver Way
Desejo que ao ver-me
te esqueças das misérias de cada dia.

Desejo que o teu coração se encha de alegria,
que os teus olhos tenham a luz prateada dum rio 
que corre até ao horizonte
sem fim

e o teu sorriso seja sempre uma manhã de Sol.

JSR

Saturday, 20 November 2010

7 - Paris Blues (souvenirs d'en France)

Oiseau prisonnier dans une cage de rêve
les plumes mouillées l’attachent à la terre.

Paris-La-Défense
Des barreaux brisés
des portes fermées
des trous trop hauts 
... pour envisager le ciel.

Chanteur de l’espoir
qui reste dans l’ombre noire 
des murs tombés,
la Lune le guette pour le dénoncer.

Oiseau prisonnier dans une cage de verre
continue malgré tout à chanter.

Dans le temps qui passe
dans la vie qui reste,
l’espoir s’évanouit
l’élan s’arrête et tombe dans l’oubli.

Mais il chante encore
l’oiseau fou prisonnier,
il chante encore l’espoir de la liberté.

JSR

Tuesday, 16 November 2010

6 - Vem

Gustav Klimt - The Kiss (detail)
Toma nos teus braços o que de mim ficou
e rega com as tuas lágrimas sinceras,
aquilo que esperas
seja a alma murcha que se pode erguer,
se alguém a aquecer
com ternura igual à que a destroçou.

Toma no silencio profundo dos teus olhos
a luz violenta da minha tempestade,
escuta sem tremer aquilo que eu disser
porque és mulher,
porque te posso confiar as agruras e os escolhos
o cansaço velho e a esperança sem idade.

Toma o meu rosto nas tuas mãos pequenas
e oculta-me o mundo inteiro,
para que eu não saiba nada além das penas
de que sou o único companheiro,
como castigo
de as trazer sempre comigo.

Toma a bola de neve em que me tornei
rolando pela escarpa branca e fria,
a bola de neve que eu te dei
o gelo que me escondia,
as palavras duras que me escutaste
leio agora nos teus olhos que já me perdoaste.

Vem, como a brisa que a noite trás do mar
e chega devagar,
torna os meus sonhos povoados de amargura
numa enseada segura,
onde nada perturbe a calma que nunca conheci
e espero de ti.

Quero a alegria breve de me sentir igual
à imagem que fiz de mim,
quero o teu olhar e o som da tua voz
quero por fim,
ver-te alegre também por estarmos sós
e livres de julgar o bem e o mal.

Espero-te. Vem quando quiseres
e souberes,
quero que o momento sejas tu a decidir
mas sei que hás-de vir,
sei que tomarás nos teus braços a minha solidão
e não me dirás que espere sem razão.

JSR

Saturday, 30 October 2010

5 - Place Saint-Sulpice (souvenirs d'en France)

Place St. Sulpice - Fontaine des Quatre Évêques
C’était hier
quand la vie s’annonçait au printemps,
c’était il y a très longtemps…

Nous sommes partis ensemble
une fois,
si peu, du temps volé, mesuré.

Pendant que l’église St. Sulpice se fondait
dans la pluie de la vitrine,
et nos bouquins flétrissaient 
sur la table du bistrot,
le jour approchait de mon départ.

La main dans la main, le cœur lourd,
avant de nous séparer
nous avions décidé
d’aller voir La Callas dans son chant du cygne…

Au retour,
l’échappée finie
le paradis referma ses portes
... il a fallu retrouver nos chaînes.

Après avoir murmuré à mon oreille
des mots simples d’adieu
tu étais émue, pâle
et tu avais même maigri
(pardon, tu insistais: minci...).

Ton image s’est gravée
dans la cache aux trésors de ma mémoire:
une jeune femme élancée
aux yeux cernés,
la douceur d’un souvenir poignant.

La vie glisse sur une bande de Möbius,
nous nous perdons de vue
de l’autre coté de la Terre,
mais sur la même piste
nous passons et repassons…

Ce matin,
quelqu’un a emprunté ta voix
au téléphone.

Ce soir,
je suis venu en pèlerin
devant St. Sulpice.
Me voici buvant mon chocolat au rhum
regardant par la vitrine une Place vide de toi,
comme avant
je t’attends à notre table au fond du bistrot...

Impatient,
j’entends parler une inconnue
qui a aussi emprunté ton nom.


JSR

Friday, 15 October 2010

4 - Ausência

The Arrábida Coast
Fui-me embora.

Mas levei gravados no esquecimento do meu ser
os contornos deste país onde nasci.


JSR