Sunday, 18 March 2012

25 - Sleepless Nights

Lion and Horse at Sunset - Rufino Tamayo

Of ghosts are filled my sleepless nights,
there are angels and devils
and other shadows of the mind,
straws in the wind, omens and foresights
with mysterious codicils
for awaken memories and weird nightmares of every kind.

My heart jumps to an irregular pace,
a lion in ambush, a horse in a race,
for in my body I have both predator and prey
the fierce lion of the night, the fickle horse of the day,
on their fight depends my life, my fate
to meet a certain destiny at an uncertain date.

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Noites de Vigília

De fantasmas são preenchidas as minhas noites sem dormir,
há anjos e demónios
e outras sombras da mente,
sinais de alerta, augúrios e presságios
com codicilos misteriosos
para memórias despertas e pesadelos estranhos de todo o tipo.

O meu coração salta para um ritmo irregular,
como um leão em emboscada, como um cavalo em corrida,
porque no meu corpo eu tenho o predador e a presa
o leão feroz da noite, o cavalo inconstante do dia,
da sua luta depende a minha vida, o meu destino
de chegar a um fim certo numa data incerta.

JSR

Tuesday, 11 October 2011

24 - Quando Tu Não Estás

Into The Void - Linton Meagher


Tenho que te dizer
uma e outra vez,
tenho que te escrever
porque tu não me crês.

Quando tu não estás,
durante o dia parece 
que o Sol empalidece
e quando a noite chega, traz
o vazio de ti,
pois na angústia da tua ausência      
até os candeeiros da rua perdem o brilho.

Tenho que te dizer:
Se fui eu que parti
não sei, os pensamentos perdem a coerência,
como perco eu a razão dos caminhos que trilho.

Tenho que te escrever:
Quando tu não estás
o mundo parece tão incompleto como eu.

Não sei se algum de nós se perdeu, 
mas tanto faz,
sei da minha raiva de tu não estares 
onde te procuro,
sei da tristeza de me deixares,
sei que voltaremos ao caminho seguro.

Tenho que te dizer
uma e outra vez,
tenho que te escrever
porque tu não me crês.

JSR

Friday, 23 September 2011

23 - Fall Season’s Winds

Fall Season's Winds

Careful, careful, treading carefully is her trademark,
reading my mind as a seer, fleeting as a skylark.

Every Spring brings new hope and the spirit to fight,
then fades into a Summer dry with excessive light,
until the Fall winds come and it’s time to part
again... the end of a cycle or indeed a new start.

Can the “sky singer” listen to any reason
other than the surviving urge of the season?

Can the “sea eagle” speak through my mouth
while gliding the trade winds farther south?

How could birds of such different feather
flock together
after crossing each other’s paths in flight
and then agree in fair or stormy weather,
instead of passing unawares in the night ?

Headwinds always come, of the strongest force,
breaking the peace, bringing the remorse
of a different path never tried, never taken,
the daring step... missed and forsaken.

A ominous whiff of Winter, a time of cold and despair,
is swelling the waves and filling the air...

A time to face the truth and dread the price to pay,
a price too high to bear, a truth too hard to say.

Careful, careful, treading carefully is my new fate,
for restraint never too soon, for daring already too late.

JSR

Thursday, 8 September 2011

22 - Os Poemas Negros (poemas da adolescência)

Lisboa 1964

Os meus poemas negros
são as torrentes caladas de amargura,
são redomas de cristal donde se vê o mundo
com a marca dos meus punhos bem no fundo,
são as paredes lisas onde posso sufocar
e que um dia hei-de despedaçar.

Os meus poemas negros
são as taças da agonia
onde é vazado o desespero de cada dia,
são as revoltas abafadas num cerrar de dentes,
são as portas que se fecham uma a uma,
entre os muros destas prisões frequentes.

Os meus poemas negros...
Afinal, todo o pouco que já vivi,
não é senão o rasto branco e negro
que deixo desde o dia em que nasci,
as cores que recebi em herança no meu berço
juntamente com o nome, a honra e um terço...

Negra vai esta noite adiantada,
branco tem sido o pó dos meus caminhos
e sem cor é a porta que se abrirá de madrugada...
Mas negros são os poemas todos que escrevi,
pois negros têm sido as armas e o corcel
desta luta que travo dia a dia sem quartel.

JSR

Saturday, 13 August 2011

21 - Noites de Marialva

Sphinx clock
La cadence et…

La musique faible en cadence
d’une horloge  
vient, tous les quarts d’heure,
aider le chœur des cigales
à percer le silence chaud de la nuit.

Dans la cour vide du château
un chien approche, pour veiller aussi.
La nuit couvre du manteau sauvage des étoiles
une contemplation qui n’est plus solitaire.

Sous l’ignorance profonde des choses,
restent toujours puissants
le désespoir de soi
et la beauté qui nous entoure.

Noir est le tapis du néant,
faux cadeau
où éclate la lumière de l’existence.

Quand tout le monde dort,
il faut toujours quelqu’un qui surveille
afin que les dieux ne soient pas seuls.

                                                          … le sphinx.

JSR

Monday, 8 August 2011

20 - Parabéns

Neste dia em que contas os teus anos,
neste dia de festa
para os que estão contigo
e melancolia
pelos que não estão
(os que ficaram longe
e aqueles que só restam na memória),
neste dia de avaliação e de esperança,
queria dizer-te tudo, sobre tanta coisa
e só sei que ficará quase tudo por dizer...

Posso dizer-te
que percorremos juntos vários ciclos da vida,
sem guia e sem outra ajuda
que não fosse o nosso esforço e a nossa vontade.

Posso lembrar-te de tanta coisa...
Dos princípios que nos sorriam,
em que o mundo entre os dois era grande
e o exterior paisagem.
Das alegrias e das vicissitudes duma vida em comum,
os filhos, as viagens, as mudanças.
Do mundo que percorremos
e de todas as estações que passaram por nós.
Dos acordos e desacordos,
dos momentos felizes
e dos menos felizes.
Das três vezes em que desci aos infernos,
suspenso nos limites extremos da vida
e voltei por ti.

Quero também falar-te:
Daquilo que nos espera
e desconhecemos.
Do que desejamos
e de tudo em que acreditamos.
Da única certeza que tenho
e da esperança que me resta,
a de que estarei contigo até ao fim.

JSR

Friday, 22 July 2011

19 - Surviving with Grace

NASA/Hubble - Nebula
We... sentient sparks of life on the edge...
           can we survive with grace?                      

We can find the relative infinity of space
           full of beauty.

We can paint the blackness of the night,
           within the spectrum of colors visible by our eyes.

We can fill the void of an animal mind
           with the awe of our imagination.

We can expect to generate sense
           out of random existence.

We can grow faith from nothing at all
           for the purpose of discovering joy.

We can use reason at long last
           and become the very gods raised on blind hope.

We can scrape the last strength of our primitive selves
           to annihilate the devils in our midst.

We, humans, are the ever-demanding avatars
           of our own desires...

JSR