Friday, 23 September 2011

23 - Fall Season’s Winds

Fall Season's Winds

Careful, careful, treading carefully is her trademark,
reading my mind as a seer, fleeting as a skylark.

Every Spring brings new hope and the spirit to fight,
then fades into a Summer dry with excessive light,
until the Fall winds come and it’s time to part
again... the end of a cycle or indeed a new start.

Can the “sky singer” listen to any reason
other than the surviving urge of the season?

Can the “sea eagle” speak through my mouth
while gliding the trade winds farther south?

How could birds of such different feather
flock together
after crossing each other’s paths in flight
and then agree in fair or stormy weather,
instead of passing unawares in the night ?

Headwinds always come, of the strongest force,
breaking the peace, bringing the remorse
of a different path never tried, never taken,
the daring step... missed and forsaken.

A ominous whiff of Winter, a time of cold and despair,
is swelling the waves and filling the air...

A time to face the truth and dread the price to pay,
a price too high to bear, a truth too hard to say.

Careful, careful, treading carefully is my new fate,
for restraint never too soon, for daring already too late.

JSR

Thursday, 8 September 2011

22 - Os Poemas Negros (poemas da adolescência)

Lisboa 1964

Os meus poemas negros
são as torrentes caladas de amargura,
são redomas de cristal donde se vê o mundo
com a marca dos meus punhos bem no fundo,
são as paredes lisas onde posso sufocar
e que um dia hei-de despedaçar.

Os meus poemas negros
são as taças da agonia
onde é vazado o desespero de cada dia,
são as revoltas abafadas num cerrar de dentes,
são as portas que se fecham uma a uma,
entre os muros destas prisões frequentes.

Os meus poemas negros...
Afinal, todo o pouco que já vivi,
não é senão o rasto branco e negro
que deixo desde o dia em que nasci,
as cores que recebi em herança no meu berço
juntamente com o nome, a honra e um terço...

Negra vai esta noite adiantada,
branco tem sido o pó dos meus caminhos
e sem cor é a porta que se abrirá de madrugada...
Mas negros são os poemas todos que escrevi,
pois negros têm sido as armas e o corcel
desta luta que travo dia a dia sem quartel.

JSR

Saturday, 13 August 2011

21 - Noites de Marialva

Sphinx clock
La cadence et…

La musique faible en cadence
d’une horloge  
vient, tous les quarts d’heure,
aider le chœur des cigales
à percer le silence chaud de la nuit.

Dans la cour vide du château
un chien approche, pour veiller aussi.
La nuit couvre du manteau sauvage des étoiles
une contemplation qui n’est plus solitaire.

Sous l’ignorance profonde des choses,
restent toujours puissants
le désespoir de soi
et la beauté qui nous entoure.

Noir est le tapis du néant,
faux cadeau
où éclate la lumière de l’existence.

Quand tout le monde dort,
il faut toujours quelqu’un qui surveille
afin que les dieux ne soient pas seuls.

                                                          … le sphinx.

JSR

Monday, 8 August 2011

20 - Parabéns

Neste dia em que contas os teus anos,
neste dia de festa
para os que estão contigo
e melancolia
pelos que não estão
(os que ficaram longe
e aqueles que só restam na memória),
neste dia de avaliação e de esperança,
queria dizer-te tudo, sobre tanta coisa
e só sei que ficará quase tudo por dizer...

Posso dizer-te
que percorremos juntos vários ciclos da vida,
sem guia e sem outra ajuda
que não fosse o nosso esforço e a nossa vontade.

Posso lembrar-te de tanta coisa...
Dos princípios que nos sorriam,
em que o mundo entre os dois era grande
e o exterior paisagem.
Das alegrias e das vicissitudes duma vida em comum,
os filhos, as viagens, as mudanças.
Do mundo que percorremos
e de todas as estações que passaram por nós.
Dos acordos e desacordos,
dos momentos felizes
e dos menos felizes.
Das três vezes em que desci aos infernos,
suspenso nos limites extremos da vida
e voltei por ti.

Quero também falar-te:
Daquilo que nos espera
e desconhecemos.
Do que desejamos
e de tudo em que acreditamos.
Da única certeza que tenho
e da esperança que me resta,
a de que estarei contigo até ao fim.

JSR

Friday, 22 July 2011

19 - Surviving with Grace

NASA/Hubble - Nebula
We... sentient sparks of life on the edge...
           can we survive with grace?                      

We can find the relative infinity of space
           full of beauty.

We can paint the blackness of the night,
           within the spectrum of colors visible by our eyes.

We can fill the void of an animal mind
           with the awe of our imagination.

We can expect to generate sense
           out of random existence.

We can grow faith from nothing at all
           for the purpose of discovering joy.

We can use reason at long last
           and become the very gods raised on blind hope.

We can scrape the last strength of our primitive selves
           to annihilate the devils in our midst.

We, humans, are the ever-demanding avatars
           of our own desires...

JSR

Thursday, 23 June 2011

18 - Solstício de Verão

Summer Solstice Mask
Vou escrever-te nesta língua que nos tem
aos dois, como princípio e como fim.
Quero escrever-te,
porque falando, não sei se saberia dizer-te
que te amo, as vezes todas que convém  
para que não te deixe afastar de mim.
Vejo nos teus olhos ausência e talvez dor,
ou é possível que seja também amor?

Eu sei que a falta é (quase...) sempre minha:
porque fiz ou porque não fiz,
porque disse ou porque não disse,
porque parti e não querias que partisse,
porque fiquei quando precisavas de estar sozinha.
Mas o que conta não é só aquilo que eu te digo,
o que conta, não é também que estou sempre contigo?
Talvez não. Porque estás triste e eu te queria ver feliz...

Tu sabes que passámos o Verão das nossas vidas,
que o solstício da paixão pode já não ser o nosso,
mas as estações de cada ano correm sem parar
e sem ti, eu nem sei se as quereria segurar.
Sabes que do meu lado, faço tudo o que posso
para dizer-te que só por ti valem as metas conseguidas.
Podes dizer-me se o que vejo nos teus olhos é só dor,
ou se é possível que continue a ser amor?

JSR

Wednesday, 1 June 2011

17 - Lisboa 63 (poemas da adolescência)

Museu dos Coches
Como é triste ser o Sol
num dia de vendaval,
ser estrela no arrebol
ser erva num pinheiral.

Olhar os raios da Lua
desenhando pelo chão,
entre o silêncio da rua
as grades duma prisão.

JSR