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| Lisboa 1964 |
Os meus poemas negros
são as torrentes caladas de amargura,
são redomas de cristal donde se vê o mundo
com a marca dos meus punhos bem no fundo,
são as paredes lisas onde posso sufocar
e que um dia hei-de despedaçar.
Os meus poemas negros
são as taças da agonia
onde é vazado o desespero de cada dia,
são as revoltas abafadas num cerrar de dentes,
são as portas que se fecham uma a uma,
entre os muros destas prisões frequentes.
Os meus poemas negros...
Afinal, todo o pouco que já vivi,
não é senão o rasto branco e negro
que deixo desde o dia em que nasci,
as cores que recebi em herança no meu berço
juntamente com o nome, a honra e um terço...
Negra vai esta noite adiantada,
branco tem sido o pó dos meus caminhos
e sem cor é a porta que se abrirá de madrugada...
Mas negros são os poemas todos que escrevi,
pois negros têm sido as armas e o corcel
desta luta que travo dia a dia sem quartel.
JSR

With no consideration, no pity, no shame,
ReplyDeletethey have built walls around me, thick and high.
And now I sit here feeling hopeless.
I can't think of anything else: this fate gnaws my mind -
because I had so much to do outside.
When they were building the walls, how could I not have noticed!
But I never heard the builders, not a sound.
Imperceptibly they have closed me off from the outside world.
CC
Dear C, there are no thicker and higher walls than those built by one's own imagination. All others will eventually come down, as came those mentioned in the poem above. JSR
ReplyDeleteDear Caged Albatross, you are contradincting yourself...
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